A Corrida de São Silvestre chegou na manhã de quarta-feira (31) a cem edições. A “prova pedestre” concebida pelo jornalista Cásper Líbero, realizada pela primeira vez em 31 de dezembro de 1925, completou um século com festa nas ruas de São Paulo e vitórias de Sisilia Ginoka Panga, de 28 anos, da Tanzânia, e, Muse Gizachew, 19, da Etiópia.
Panga triunfou com facilidade, com boa vantagem sobre as concorrentes. Já Gizachew alcançou o primeiro lugar com uma ultrapassagem nos metros finais. Ele entrou na avenida Paulista atrás do queniano Jonathan Kipkoech, 22, que dava claros sinais de desgaste e acabou perdendo a liderança a poucos passos da linha de chegada.
A disputa comemorativa teve recorde de participantes, 55 mil. Houve celebração popular, com atletas fantasiados, exibindo mensagens lúdicas e político-sociais. E houve domínio de competidores africanos, como tem sido bastante recorrente ao longo das últimas décadas.
“Vim aqui para buscar o primeiro lugar, o mais alto do pódio. Não saiu neste ano, mas acredito que vai acontecer”, disse a baiana de 23 anos, que já havia ficado na terceira posição em 2024.
Nenhuma atleta do Brasil vence desde o triunfo de Lucélia Peres em 2006. E nenhum homem do Brasil leva a melhor desde 2010, com o tri de Marilson Gomes dos Santos. O brasileiro mais bem colocado na disputa de 2025 foi Fábio Jesus Correia, que ficou em terceiro.
“É muito treino, muita dedicação, para a gente chegar aqui. Brigar com esses africanos não é fácil. Que pena que o Brasil não incentive o atletismo. Eu treino na rua”, afirmou Correia, também baiano.
O pelotão masculino de elite partiu às 8h05. Jonathan Kipkoech chegou a abrir boa vantagem, mas acabou atropelado por Muse Gizachew nos 50 metros derradeiros. O etíope concluiu o percurso em 44min28, e o queniano, em 44min32. Correia finalizou o trajeto em 45min07.
Atrás deles veio bastante gente. Com um significativo aumento em relação aos 37,5 mil corredores do ano anterior, o habitual congestionamento da largada ficou ainda mais pesado. Para que fosse maior a mobilidade dos amadores, foi adotado um formato de largada “em ondas”, com a liberação deles pouco a pouco.
A limitação inicial de participantes era de 50 mil, mas a organização relatou que houve um pico de 150 mil acessos simultâneos na plataforma de inscrição, que travou. Diante dos problemas e das reclamações, foram abertas 5.000 vagas extras, mas muitos ficaram fora.


