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Agatha Christie vive: Novas edições, série no streaming e exposição marcam 50 anos de morte da escritora

“O assassinato de Roger Ackroyd', publicado em 1926, foi a obra que fez ex-enfermeira despontar como 'rainha do crime'; no mesmo ano, ela desapareceu por 11 dias, seu maior mistério real

jornalslz Por jornalslz
09/02/2026
Agatha Christie vive: Novas edições, série no streaming e exposição marcam 50 anos de morte da escritora

A escritora Agatha Christie

Em 1926, um comunicado da polícia de Berkshire, no interior da Inglaterra, pedia informações sobre o paradeiro de uma mulher de 36 anos, 1,68m de altura, de cabelos “castanho avermelhado naturais, que “vestia casaco de pele cinza, saia de lã verde, suéter cinza”. A desaparecida, dizia o aviso, era Agatha Christie, só encontrada 11 dias depois num hotel da região, aparentemente após uma crise de amnésia que seria decorrente de problemas no primeiro casamento.

Este foi o único mistério não esclarecido pela escritora, mundialmente conhecida como rainha do crime, cujo breve sumiço completa cem anos em 2026. Ironicamente, também se celebra um marco importante da sua obra: o centenário de publicação de “O assassinato de Roger Ackroyd”. Foi com este quebra-cabeça criminal —editado meses antes de ela “desaparecer” e deixar imprensa, fãs e polícia em suspense —que a ex-enfermeira começou a ganhar fama e fortuna, por romper com tradições do gênero que não convém entrar em detalhes para evitar spoilers.

Por causa do marco de Roger Ackroyd — e também pelos 50 anos de sua morte, em 12 de janeiro de 1976, aos 85 anos—, editoras no mundo inteiro preparam ações para alguns dos quase cem livros que ela escreveu, entre histórias de detetives, contos e romances sob o pseudônimo de Mary Westmacott. A British Library, em Londres, também organiza uma grande exposição para outubro, com material, como objetos pessoais e gravações da autora, que ajuda a dimensionar seu legado na ficção policial e a explicar por que ela permanece uma das autoras que mais despertam interesse no mundo. Um exemplo: a Netflix acaba de adaptar em forma de minissérie o livro “O mistério dos sete relógios”, de 1929. Outro: em “Marty Supreme”, longa que concorre ao Oscar 2026 de melhor filme e se passa nos anos 1950, o nome dela é citado como sinônimo de sucesso.

— As histórias de Agatha Christie funcionam porque ela pega um mundo aparentemente seguro e rompe-o com um assassinato, por exemplo — diz ao GLOBO, por Zoom, a professora Gill Plain, da Universidade de St. Andrews, na Escócia, e pesquisadora de ficção policial há 30 anos, sobre o sucesso atemporal da autora. — Justamente quando as coisas parecem desmoronar, surge a figura do detetive que, de alguma forma, organiza tudo, identifica um único culpado, um bode expiatório, e restaura a estabilidade da sociedade. Traz uma ilusão agradável, mesmo depois de ler muito desses livros. Isso, de alguma forma, toca nas nossas ansiedades e tenta remendá-las ao mesmo tempo.

Casada com um militar e depois com um arqueólogo, Agatha Christie começou a escrever nos intervalos de plantões em hospitais na Primeira Guerra Mundial, em 1916. Ali começaram os rascunhos de Hercule Poirot, um ex-policial belga radicado na Inglaterra, seu principal detetive juntamente com Miss Marple, uma curiosa senhora aposentada. A primeira história saiu em 1920, com o belga protagonizando “O misterioso caso de Styles”, numa publicação sem alarde, “de uma completa amadora”, ela escreveu em “Uma autobiografia”. Mas tudo mudou em 1926, quando Poirot desvendou as artimanhas do assassino (ou assassina) de Ackroyd.

— Este livro foi o primeiro best-seller dela. Fez com que se tornasse um nome conhecido na mídia da época e entre os leitores — diz Amanda Orlando, editora de sua obra na Globo Livros, que prepara uma edição de luxo da história para março. — E lhe deu mais liberdade para compor outras obras e autonomia financeira, o que era raríssimo para um mulher na década de 1920. Apesar da tradição vitoriana de autoras, no início do século XX, era raro que mulheres escrevessem romances policiais.333

Novas pistas

 

O gênero, na época, já era um dos preferidos de leitores ao redor do mundo, com nomes como Conan Doyle (e seu Sherlock Holmes) e Edgar Allan Poe (e seu Auguste Dupin), mas Agatha foi quem teve a carreira mais produtiva e longeva. Chegou a escrever, em determinado momento, dois livros por ano, e sua última obra saiu meses antes de morrer (“Cai o pano: o último caso de Poirot”). Hoje, a empresa Agatha Christie Limited, criada em 19553, trabalha para mantê-la em evidência, negociando direitos literár3ios, adaptações para TV, cinema e teatro e ações de leitura, como o Desafio Read Christie. Anualmente, em parceria com editoras (no Brasil, com a L&PM) seleciona parceiros literários e influenciadores para lerem livros dentro de algum eixo temático, como tipo de personagens ou década em que foi escrito. Em 2026, por causa das efemérides, o mote é “Maiores, melhores e mais amados”, com uma seleção dos mais famosos, como “Assassinato no Expresso Oriente”, “Morte no Nilo” e “E não sobrou nenhum”. Este último, inclusive, é o primeiro que a analista de mídia carioca Marcela Lobo, de 23 anos, leu, por sugestão de uma professora.

3— Mas o meu preferido é “O assassinato de Roger Ackroyrd”. I3nclusive, “Vivo ou morto: um mistério Knives Out” (filme mais recente da franquia estrelada por Daniel Craig como o detetive B3enoit Blanc, lançado em dezembro de 2025) tem, com certeza, ins33pirações no livro — deduz Marcela.

A jovem leitora matou a charada: “O assassinato de Roger Ackroyd” foi, sim, uma inspiração para o diretor e roteirista Rian Johnson, como ele mesmo disse ao site Tudum, da Netflix, na época do lançamento do filme. Aliás, toda a franquia e, especialmente, o detetive Benoit Blanc são uma homenagem a Agatha Christie, com quem Johnson, ainda criança, aprimorou o amor pela leitura e seus mistérios.

Por aqui, o escritor Raphael Montes passou por algo parecido. Começou a gostar de ler na adolescência, quando uma tia-avó o presenteou com um livro da rainha do crime e, depois de virar escritor, passou a deixar pistas dessa influência em suas obras.

—Meu primeiro livro, “Suicidas” (2017), é uma homenagem a ela e (ao livro) “E não sobrou nenhum” — diz Raphael, que também colocou ingredientes christianos em “Jantar secreto”, outro best-seller seu.

O cozy mistery dela, como é chamado o mistério sem sangue ou violência, focado no quebra-cabeça, segue até hoje como sua literatura de conforto.

— É minha leitura de toda noite. Tenho relido a obra dela há uns dois anos, agora estou em “Treze à mesa”— diz. —As tramas são impressionantes, é muita ousadia em muitos livros.

A designer de interiores Kelly Rossi está dedicada à leitura de toda a obra da inglesa desde janeiro de 2020. Pouco antes de a pandemia começar, Kelly, que já resenhava livros num blog desde 2015 e era influenciadora literária no Instagram desde 2017, criou o “Clube Lendo Rainha Christie”. A ideia é zerar toda a produção literária da escritora. De lá para cá, num ritmo de um livro por mês, já se foram 75 — em fevereiro, é hora de “Maldição no espelho”. O plano é chegar a cem em março de 2028.

—Brincamos que, se olharmos as fotos, vemos o pessoal envelhecendo — diz a paulista Kelly, hoje moradora de Paracatu (MG).

Em seis anos de clube, nem todo mundo perseverou: só sete participantes seguem desde o início (no total, são 24). Há meses de mais leitores, outros menos. Muitos estão na casa dos 20 anos, e a mais nova do grupo tinha 14. Uma turma jovem com “HD zerado”, brinca Kelly, sobre a boa memória, mas não só: os jovens leitores costumam ser mais perspicazes para perceber passagens consideradas sensíveis em temas de gênero, raça ou nacionalidade.

O espólio da autora (considerado por editores um dos mais ativos do mercado), aliás, também trabalha para não deixar seus escritos caducarem frente a discussões contemporâneas. Em 2020, o bisneto dela, James Prichard, anunciou a padronização do título no mundo de um dos seus maiores sucessos. Daquele momento em diante, “Ten little niggers” (“O caso dos dez negrinhos”) seria chamado, em todo o planeta, de “And then there were none” (“E não sobrou nenhum”), como já era feito em vários países. “Na minha opinião, o principal objetivo de Agatha Christie era entreter, e ela não gostaria que alguém se sentisse ofendido por uma de suas expressões”, disse James na ocasião. “Hoje podemos abordar isso sem trair sua obra, sendo ao mesmo tempo aceitável para todos. Não devemos mais usar termos que corram o risco de ofender: essa é a abordagem correta em 2020”.

—Todas as novas edições têm notas no fim em que tentamos trazer contextualizações, que vão desde um país que foi citado e não existe mais até expressões usadas — diz Alice Mello, editora executiva da HarperCollins Brasil, outra a publicar a inglesa por aqui e que vem atualizando diversos livros dela desde 2020.

PÁGINAS RENOVADAS

 

‘O assassinato de Roger Ackroyd’ (Globo Livros)

Nos cem anos da obra que mudou a carreira da escritora por seu final instigante, a Globo Livros lança, em 23 de março, uma edição de luxo, com capa dura e novo projeto gráfico. Na história, o milionário Roger Ackroyd é morto em sua mansão e o narrador, Dr. Sheppard, pede ajuda a Hercule Poirot paradesvendar o caso. Tradução de Renato Rezende. R$ 99,90.

‘Os sete relógios’ (L&PM)

A história que virou uma nova série da Netflix ganha outra edição tradicional e também de bolso pela editora LP&M. No livro, o sempre atrasado Gerry Wade passa uns dias na mansão dos Chimmeys, com amigos que espalham oito relógios pelo quarto dele. Até que ele aparece morto, e está faltando um dos relógios. Com tradução de Otavio Albuquerque. R$ 69,90.

‘Mistérios de inverno’ (HarperCollins).

A livraria Leitura e a editora HarperCollins firmaram, no fim de 2025, uma parceria para trazer aos leitores títulos inéditos no Brasil, com capas especiais e à venda nas lojas físicas da rede. Além deste, saíram também “Casos mortais”, “Assombrações mortais” e “Mistérios de verão”. As traduções são de Érico Assis, Petê Rissatti e Samir Machado de Machado. R$ 34,90, cada.

‘Assassinato no Expresso Oriente’ (L&PM)

Um dos mistérios mais famosos resolvidos por Hercule Poirot, publicado em 1934, ganhou, no fim do ano passado, ilustrações em mangá, parceria da LP&M com a editora japonesa Hayakawa. A brasileira planeja, ainda para este ano, mais edições do tipo com os títulos com “Os crimes ABC” e “Noite das bruxas”. A tradução é de Petrucia Finkler. R$ 59,90.

Tags: #3li3eratura#agathachristie#romancepolicial

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