Alma do Deserto, documentário que aborda a jornada de Georgina Epiayú, uma mulher transexual da etnia wayuu, que luta para ter sua identidade de gênero reconhecida e respeitada, chega aos cinemas nesta quinta-feira, dia 30.
A obra, uma coprodução entre Brasil e Colômbia, foi exibida na Giornate degli Autori, uma das mostras competitivas do Festival de Veneza em 2024, e ganhou o prêmio Queer Lion. Em dezembro do ano passado, o filme foi duas vezes premiado no 45.º
Festival de Havana: Prêmio Especial do Júri da Competição de Documentários e o Prêmio Arrecife.
Alma do Deserto investiga, de maneira profunda, as complexas intersecções entre identidade, etnia e os desafios de existir em uma cultura que frequentemente marginaliza pessoas trans, especialmente as que pertencem a comunidades indígenas.
Intolerância
O longa acompanha a trajetória da colombiana Georgina, moradora de um vilarejo no deserto de La Guajira, próximo à fronteira com a Venezuela, desde o enfrentamento da discriminação dentro da sua própria comunidade até a luta pelo reconhecimento legal de sua identidade.
Depois que seus vizinhos colocaram fogo na casa onde ela vivia – eles não aceitavam que uma indígena transexual habitasse o mesmo território que eles –, Georgina fica sem os documentos com seu antigo nome.
Após o atentado, ela se sente ainda mais determinada a ter sua verdadeira identidade reconhecida oficialmente aos 70 anos – depois, segundo ela, de 45 anos de luta. E, dessa forma, luta para conseguir seus direitos básicos de cidadã – como, por exemplo, o de votar nas eleições colombianas.
Este é o primeiro longa da diretora colombiana Mónica Taboada-Tapia, que também assina o roteiro e já dirigiu os curtas-metragens documentais Fidel (2012), Two-Spirit (2021) e Red Flag (2023).
“Há muitas pessoas da comunidade LGBTQIA+ na nação wayuu, mas só conheço Georgina entre as pessoas trans”, contou a diretora em entrevista ao jornal espanhol El País. “No entanto, a comunidade é um pouco machista, as mulheres da comunidade sabem disso: existe machismo. E os homens podem ter todas as mulheres que puderem sustentar”, explicou. •