O presidente Donald Trump anunciou nesta quarta-feira (2/4) que os Estados Unidos irão introduzir “tarifas recíprocas” aos países que fazem comércio com os americanos – o Brasil será taxado em 10%.
“Isso quer dizer que, o que fazem conosco, faremos como eles”, disse Trump.
As tarifas passam a valer a partir de sábado (5/4).
No anúncio, o presidente disse que vai impor uma tarifa de 10% sobre os produtos brasileiros, o mesmo valor que o Brasil cobra dos americanos, segundo Trump.
Ainda não está claro como isso será aplicado na gama de bens brasileiros exportados aos EUA.
Entre os principais produtos exportados pelo Brasil aos americanos em 2024 estão petróleo, ferro e aço, aeronaves, café, carne bovina e açúcar, conforme levantamento da XP Investimentos, com base em dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
O presidente anunciou que “tarifa mínima base” para todos os países do mundo será de 10% – o mesmo que será cobrado do Brasil.
Mas, para alguns países, como Japão e Vietnã, Trump anunciou que irá cobrar “aproximadamente metade” do que eles cobram dos EUA.
“As tarifas não serão totalmente recíprocas. Eu poderia ter feito isso, sim, mas teria sido difícil para muitos países”, disse Trump.
O presidente também confirmou o início da cobrança de uma tarifa de 25% sobre todos os carros estrangeiros a partir de 0h desta quinta-feira (3/4), uma taxa que deve afetar principalmente o México.
Trump repetiu que esta quarta é “Dia da Libertação da América” e afirmou que as tarifas visam corrigir o que considera um comércio “injusto” com outros países — um argumento apoiado por algumas indústrias dos EUA.
Estavam na Casa Branca durante o anúncio trabalhadores da indústria siderúrgica e automotiva.
O presidente disse no anúncio que nações “ficaram ricas às custas” dos EUA, por cobrarem mais taxas do que os americanos cobram deles
“Por décadas, nosso país tem sido roubado e explorado por outros países, próximos e distantes, amigos e inimigos”, declarou Trump, elencando efeitos nas indústrias de carro e siderúrgica.
“Roubaram nossos empregos”, disse Trump, prometendo que as vagas de trabalho voltaram ao país.
Segundo ele, outros líderes protegem suas economias impondo tarifas elevadas sobre importações dos EUA, e agora os EUA farão o mesmo.
“Precisamos começar a cuidar do nosso país agora”, declarou.
Enquanto defendeu sua visão de uma economia americana revitalizada por meio das tarifas, Trump descreveu um cenário em que fábricas “vazias e mortas” e “prédios caindo aos pedaços” serão substituídos por novas instalações industriais nos EUA.
No discurso, Trump destacou a importância de imigrantes legais para ocupar os empregos que espera criar com suas novas políticas industriais.
Trump argumentou que os EUA precisam de mais trabalhadores para operar as fábricas e apoiar os sindicatos e trabalhadores da indústria automotiva. No entanto, ressaltou que quer imigrantes que “amem o país”, não aqueles que, segundo ele, “odeiam os EUA”.
Trump já havia anunciado anteriormente o aumento de impostos sobre importações da China, Canadá e México, além de tarifas sobre aço e alumínio — que tiveram impacto na indústria brasileira.