A Universidade de São Paulo (USP) oficializou a demissão do professor José Mauricio Rosolen que integrava o Departamento de Química da instituição após denúncias de assédio sexual e moral contra 16 alunas. Os casos teriam ocorrido no campus de Ribeirão Preto, no interior paulista.
A decisão foi publicada no Diário Oficial na última segunda-feira, 23, e apresenta um prazo de 30 dias corridos para que o docente apresente recurso. A reportagem busca contato com Rosolen. O espaço segue aberto.
Por meio de nota, a diretoria da Universidade informou que um grupo formado por conselheiros da Congregação da Unidade decidiu pelo desligamento.
A demissão ocorre após um ano de investigação, iniciada com o afastamento do professor em março do ano passado, quando foi aberto um processo administrativo disciplinar. Apesar disso, ele retornou às atividades da Universidade em março deste ano.
O retorno do docente gerou revolta entre os estudantes. “É fundamental que a comunidade estudantil se organize e discuta coletivamente quais serão os próximos passos frente a essa situação”, afirmou, em nota divulgada em 6 de março, o Centro Estudantil da Química da USP-RP.
Relembre o caso
No ano passado, Rosolen teve a sua participação na USP suspensa após ser denunciado por 16 estudantes pelos crimes de assédio moral e sexual. Antes mesmo de ser afastado, ele já era alvo de averiguação preliminar desde setembro de 2024.
Segundo as denúncias, havia “um acordo tácito” entre os alunos para que nenhuma mulher fosse deixada sozinha com o professor, tanto na sala de aula, quanto no laboratório.As vítimas afirmam que o docente se aproximava das alunas tentando estabelecer alguma conexão. Chegava a propor convites e até a oferecer viagens e passeios. Relatos apontam que a relação escalava para tentativas de beijos forçados e toque nas partes íntimas. E, quando as aproximações não encontravam reciprocidade, ele supostamente retaliava estudantes com ameaças de cortes de bolsas de estudo.

